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19 Outubro 2018 | 05:20
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A construção do futuro aeroporto do Montijo tem luz verde em termos de impacte ambiental. O estudo elaborado pela empresa Profico Ambiente e que a ANA- Aeroportos de Portugal entregará esta semana ao Governo viabiliza o projecto e será agora avaliado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

"Ficámos muito contentes porque o estudo de impacte ambiental não levanta qualquer impedimento e viabiliza a construção do nosso projecto", afirmou Thierry Ligonnière, administrador da ANA, ao Negócios. Segundo este responsável "os impactos que foram analisados pela Profico, na sua grande maioria, são pouco significativos" e não colocam em causa a localização no Montijo do novo aeroporto complementar de Lisboa.

A APA deverá demorar cerca de seis meses a analisar o estudo de impacte ambiental entregue pela ANA, pelo que as obras de construção do Montijo deverão arrancar em meados do próximo ano. Já a conclusão está prevista para o ano de 2022.

O relatório elaborado pela Profico Ambiente estará também em consulta pública durante 40 dias. Em paralelo, a gestora dos aeroportos nacionais, detida pelos franceses da Vinci, já iniciou as negociações com o Governo para definir o modelo de financiamento do projecto. A primeira reunião entre as partes teve lugar a 12 de Abril.

A ANA não indica valores sobre os custos resultantes da transformação da base aérea do Montijo num aeroporto civil, projecto que implica a construção de acessibilidades, mas os valores que têm vindo a público apontam para um investimento entre 300 e 400 milhões de euros.

O relatório de avaliação do impacte ambiental aponta já os elementos mais significativos do projecto. "Sem surpresa no caso do Montijo", diz Thierry Ligonnière, "são a fauna (como as aves) e, em muito menor importância, a flora que têm de ser olhados com mais pormenor do que outras vertentes". O documento concluiu ainda por um "impacto pouco significativo na questão do ambiente sonoro", não apontando situações onde se estejam a ultrapassar os limites legais.

Thierry Ligonnière acrescentou ainda que o estudo da Profico conclui também que o futuro aeroporto do Montijo terá um impacto sócio-económico "muito positivo", estimando a criação de 800 a 900 empregos directos e indirectos por um milhão de passageiros. Para a ANA a construção do Montijo é fundamental. "Sentimos necessidade absoluta de encontrar uma solução mais rápida porque perdemos oportunidades estratégicas de desenvolvimento do tráfego", afirmou o administrador da concessionária.

A entrega do estudo de impacte ambiental é o terceiro passo dado na direcção do novo aeroporto. O primeiro ocorreu em Fevereiro de 2017, quando a ANA e o Governo assinaram o memorando de entendimento, e o segundo em Outubro do mesmo ano, quando a concessionária entregou a proposta de construção da infra-estrutura aeroportuária. "Há muito tempo que estamos atrás desta solução. Em 2014 começámos a ter sinais avançados de crescimento rápido do tráfego e isso fez-nos pensar em soluções rápidas" para resolver o problema, sublinhou Thierry Ligonnièr.


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