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“Não acreditamos que baixar impostos ponha por magia a economia a crescer”, diz Siza Vieira
Jornal de Negócios


Pedro Siza Vieira aponta armas ao PSD: para o socialista, uma descida de impostos não é necessariamente o suficiente para pôr o PIB a crescer acima da União Europeia. Por oposição, contrapõe com uma conjugação de políticas, que passem pela qualificação dos trabalhadores e pela redução de custos das empresas.

A convergência com a UE e com a Zona Euro é uma das prioridades do programa do PS. Como pode dar essa garantia?

Na década seguinte precisamos de continuar a reforçar a aposta na qualificação dos nossos recursos humanos, a apoiar o investimento empresarial, reforçar a digitalização das empresas e criar um quadro regulatório de custo de contexto, designadamente custos de energia e de justiça económica, que permitam criar às nossas empresas as melhores condições para o prosseguimento da sua atividade. É o conjunto destas políticas conjugado com os recursos muito importantes que temos ao nível dos fundos europeus, do Plano de Recuperação e Resiliência e do PT 2030, que nos permite apoiar este esforço de modernização do nosso tecido económico. Não acreditamos que uma baixa de impostos pura e simplesmente ponha por magia a economia a crescer.

Qual é o cenário macro do PS? É o mesmo do Governo?

Parece-me evidente que sim, que é o mesmo cenário que o Governo apresentou. Neste momento estamos no Governo, temos um cenário macroeconómico apresentado muito recentemente e não vemos como é que o PS devia agora apresentar um cenário macroeconómico alternativo.

Há mais informação neste momento.

Sim. Essa informação tem levado a uma atualização das projeções económicas das várias instituições, desde o Banco de Portugal até à OCDE, que até acabam por ser mais otimistas do que as projeções do governo na proposta de Orçamento do Estado para 2022. Estas projeções, no caso da OCDE, consideram que Portugal será o país da OCDE que vai ter maior crescimento nos próximos três anos.

Mas admite uma revisão do cenário macroeconómico?

Quando apresentarmos a proposta de Orçamento do Estado – estamos em condições de apresentá-la imediatamente após a aprovação do programa de Governo –, poderá haver alguma atualização. Esta atualização pode ser até mais positiva do que a que constou da proposta original apresentada em outubro. Mas não deverá haver grandes surpresas. (...)Temos disponibilidade para fazer alguns ajustamentos em matéria fiscal para, por exemplo, trabalhar para que o peso dos rendimentos do trabalho no PIB venha a ficar ao nível da média da UE durante a próxima legislatura. Isso implica obviamente um aumento dos salários e do rendimento líquido dos trabalhadores mais qualificados e, em compensação, o Governo está disponível para fazer alterações ao nível da fiscalidade das empresas, designadamente no IRC, aliviando o esforço que as empresas possam fazer. A condição para termos pessoas qualificadas é pagarmos melhor. Não é como o ovo e a galinha, em que primeiro tem de vir o crescimento da produtividade e só depois pagar melhores salários.