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Saída da Ryanair provoca quebra de 30% no rent-a-car nos Açores, alerta ARACTnews
A saída da Ryanair dos Açores já está a refletir-se no setor do rent-a-car, com a procura por viaturas de aluguer a registar uma quebra de cerca de 30% face ao mesmo período de 2025, alertou Luís Rego, representante da Associação Nacional dos Locadores de Veículos (ARAC) nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
“Sem dúvida que há uma quebra, estimada em 30% face ao mesmo período do ano passado. Este mês de abril está a ser mais fraco e estamos a sentir efetivamente a falta da Ryanair. Isto é notório”, disse Luís Rego à agência Lusa.
A transportadora low-cost deixou de operar no arquipélago açoriano a 29 de março, justificando a decisão com as “elevadas taxas aeroportuárias” e a “inação” do Governo português.
De acordo com o responsável da ARAC nos Açores, a ausência da companhia está diretamente ligada à redução da procura, uma vez que a Ryanair transportava um perfil de visitante que recorria com frequência ao aluguer automóvel e ao alojamento local.
A coincidência entre o fim da operação da Ryanair e o período da Páscoa, tradicionalmente mais fraco para o turismo na região, terá agravado ainda mais o cenário.
“Verificámos logo esta quebra pela Páscoa, que por si já é um período mais fraco. E, coincidência, a saída da Ryanair foi logo na semana da Páscoa. Estamos a notar que as reservas estão largamente mais baixas este mês. E isto deve-se naturalmente a uma parte da quebra da Ryanair”, disse.
Embora admita que possam existir outros fatores a influenciar a descida da procura, Luís Rego considera que “uma grande parte da quebra é referente à falta da Ryanair”.
“Estamos a notar uma quebra efetiva. Agora, se é só por causa da Ryanair também não sabemos. Mas é uma certeza que grande parte da quebra é referente à falta da Ryanair, sem dúvida”, sublinhou.
Para os meses de verão, o representante do setor antecipa uma recuperação da atividade, impulsionada pelo aumento sazonal do número de voos e da procura turística. “O verão é sempre o verão e existirão mais voos e mais movimento. É lógico que na época alta será menor o peso da saída da Ryanair dos Açores”, sustentou.
Ainda assim, “a maior preocupação que deve existir é já para o próximo inverno, porque naquele período ficamos só com a SATA e a TAP”, defendeu.
Luís Rego recorda que a Ryanair “sempre acrescentou valor” ao turismo açoriano e avisa que “o próximo inverno é longo, de outubro a março, e, se nada for feito, a percentagem de quebra ainda será maior”.